terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

É possível ser um político honesto?

É POSSÍVEL SER UM POLÍTICO HONESTO?

Tenho 41 anos e sou professor de Literatura (por prazer) e Funcionário Público, por obrigação, e jornalista, em sonhos...
Falo em obrigação não por ter que servir à população, razão última de existir o “serviço público”; é porque, na verdade, meu grande sonho, desejo intenso, fonte de intermináveis debates internos, além (e mais) do (que o) jornalismo, é a política. Queria servir ao povo como em tese somente pela política seria possível.
Lembro-me das polis gregas, nas quais o sonho de buscar o bem comum se originou, para imaginar como eu seria um bom político, na luta por satisfazer os anseios dos cidadões/cidadãos/cidadães...
Porém, queridos leitores, minha esposa rejeita com fúria a simples possibilidade de eu vir a ser candidato a qualquer coisa na política. Ela, evangélica como eu, acha que todos os políticos, de algum modo, são corruptos, ladrões, safados...
A história dos Barbalho parece ser, aqui no Pará, o motivo pelo qual tantas pessoas de bem julgam os políticos como os parias do mundo, nos quais não é possível confiar uma grama.
Tenho algumas reminiscências de como essa família chegou ao que é, hoje, em termos de poder político e econômico; talvez porque, desde 1982, utilizou-se do poder econômico para chegar ao político. Lembra-se do famoso caso BANPARÁ, e do desvio de milhões? Pois é, todo mundo diz que foi com esse dinheiro que Jader comprou “0 Estado do Pará” (trocadilho pertinente esse, não?) um folhetim político, meio marrom, que nasceu com o sonho megalomaníaco de ser o contra-ponto de O Lineral, “maior jornal da Amazônia”. Passados 25 anos, o cara enriqueceu, pulverizou suas relações pessoais, trocando a mulher pela sobrinha, e, agora, esta por uma deputada, eleita com um “empurrãozinho” de Jader.
Minha irmã trabalhou na Ação Social, desde o seu primeiro momento. Conhecia bem a família, viu os dois meninos Barbalho crescerem, e até ganhou uma medalha de Jader, pelos serviços prestados ao Estado. Um belo dia, porém, minha irmã entrou em descrédito junto aos poderosos chefões por uma questiúncula envolvendo a irmã de Elcione, a dra. Isane Zaluth, uma bibliotecária. Não conto detalhes para preservar minha querida irmã, funcionária pública exemplar.
Vocês, leitores, conhecem bem a trajetória dos Barbalho. E sabem que o sonho político (de poder, portanto) da família jogou na lixeira da consciência qualquer embaraço surgido dos inúmeros casos de adultério envolvendo o maioral deles, tudo para que a população paraense não perceba que essa imagem de união e afeto, apesar das traições e mentiras, é apenas uma grande farsa montada para que todos dessa família abocanhem a fatia de poder que sua ganância pessoa julga adequada. Por isso, no palanque dos Barbalho entram todos, agressores e agredidos, traidores e traídos, chifrudos e chifradores. É possível que em outubro vejamos de mão dadas a dona Elcione, a dona Márcia, a outra dona...
Pois bem, aqui em Ananindeua, onde moro, a família Barbalho estabeleceu seu segundo quartel general. O filho, Helder, mudou-se para cá a fim de construir sua carreira política e dar ao pai a concretização de um sonho: ser governador do Estado.
Parece que o filho não herdou o mesmo carisma do pai. Digo isso porque conheço uma família pela qual o avó de Helder, Laércio Barbalho, nutria grande carinho. Parece que a matriarca dessa família trabalhou na Ação Social, pelos idos de oitenta, e fazia comidas deliciosas. A família em questão mora na Cidade Nova, e de vez em quando, Laércio a visitava. Dias desses, um dos membros da família passou mal e foi levado às presas para o Pronto Socorro da Cidade Nova 6, tendo que esperar mais de quatro horas para ser atendido. Sua irmã, furiosa, chamou a imprensa, e “largou o pau” no Helder. A matéria saiu hoje nos veículos de comunicação dos Maiorana, é óbvio.
Como vocês vêem, leitores, honestidade e carisma parecem habilidades que a genética não transmite às gerações futuras. O avó de Helder, se vivo fosse, talvez tivesse um ataque cardíaco ao ver/ouvir/ler a entrevista da filha da mulher a quem tanto estimava. É claro que ele não seria levado a nenhum pronto socorro público!!!Respondendo à pergunta inicial: para ser honesto na política, basta ser ético, honesto e cumprir com fidelidade sua missão, que é lutar pelos interesses da população, enfim, não sendo igual aos Barbalho.

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